Rubem Fonseca: amor à primeira linha!

Me apaixonei pelo mineiro Rubem Fonseca quando li a epígrafe escolhida para o livro que comento hoje: “Histórias de Amor”. A frase de abertura é “Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga”, de Jean Anouilh. O livro compila sete contos, nos quais o tema central é, obviamente, o amor; o que pode enganar as expectativas dos que ainda não conhecem o autor, e procuram o livro esperando sentimentalismo e romantismo. Aqui temos o amor e a crueldade andando de mãos dadas, pitadas de um humor ferino, uma paixão carnal, e merda. Sim, merda!

Imagem

Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571646929
Ano: 1997
Páginas: 135

Os dois primeiros contos da obra, “Betsy” e “Cidade de Deus”, são curtíssimos, e por isso prefiro não fazer comentários sobre seu enredo; mas são boas leituras, apesar de ainda não serem o melhor de Rubão. A coisa começa a esquentar quando chegamos em “Família”, no qual encontramos uma temática que, hoje, ainda gera polêmica, e que, portanto, em 1997 (data da publicação), com certeza gerou uma bela discussão. E que bom que temos autores assim, que não tem medo de colocar os temas inerentes a vida, no papel; que não tem medo de tratar os dramas humanos, ao mesmo tempo, de forma simples, e com maestria.

“O Anjo da Guarda”, conto seguinte, traz uma daquelas histórias em que você se pega torcendo para que algo moralmente Imagemjulgado ocorra; e também uma bela reflexão sobre lealdade. Nesse conto, as reviravoltas vão acontecendo de forma rápida e intensa, de forma que o leitor não consegue parar de ler, e o mais interessante é isso: Rubem Fonseca escreve as amarras que nos prendem ao seu texto! O próximo conto é “Viagem de núpcias”, que joga na nossa cara que amamos a realidade, nos apaixonamos por aquilo que faz o ser humano ser possível, e esse é um dos melhores contos do livro, com certeza. Quando o li, lembrei-me muito de “Merda e ouro”, do Leminski, e de um texto chamado “Os ritos corporais entre os Nacirema”, que li para uma matéria da faculdade, sem muitas esperanças de me interessar, e acabei achando o máximo, e indico a todos e todas!

Temos, então, a chave de ouro; os dois contos que encerram o livro são para aplaudir sem dó: “O amor de Jesus no coração”, que não tem nem um pouco de pudor religioso, ou qualquer tipo de moralismo; e “Carpe Diem”, com diálogos incríveis, do início ao fim! O primeiro nos mostra como podemos não enxergar de olhos abertos, quando estamos sujeitos a cegueiras subjetivas, o que é uma reflexão atemporal e, portanto, sempre relevante! E o segundo nos apresenta uma teia intrincada de personagens e acontecimentos que se sucedem sem muito controle e vão levando o leitor a se perder e se apaixonar por cada personagem, através dos diálogos incríveis que Rubem Fonseca cria.

E para finalizar essa conversa: saia daqui, e vá ler Rubão!

Anúncios