Night on Earth: um filme para gregos e troianos!

“Uma noite sobre a Terra” (Night on Earth) é um filme sobre pessoas e carros, mas sem fúria e sem velocidade. Esse é um daqueles filmes que eu indicaria a gregos e troianos, porque não importa se você prefere drama ou comédia, curtas-metragem ou longas-metragem, filmes de ação ou filmes mais introspectivos: em “Night on Earth” todo mundo pode se encontrar!

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Título Original: Night on Earth
Ano de produção: 1991
Direção e roteiro: Jim Jarmusch
Estreia no Brasil: 1991
Duração: 129 minutos

A sinopse do filme é muito básica, e é essa simplicidade que torna tudo tão incrível: são cinco histórias, todas ocorrendo em uma mesma noite, porém em cidades diferentes, dentro de um táxi. Praticamente todo o filme se passa dentro de algum táxi, no qual cada diálogo é perfeito, e se torna o grande diferencial do filme. Levando em consideração nossas próprias experiências, em táxis, com certeza teríamos muitas histórias para contar, agora imagina isso na mão de Jim Jarmusch, e na interpretação de gente como Winona Ryder, Gena Rowlands, Rosie Perez, Armin Mueller-Stahl, Roberto Benigni, Isaach De Bankolé, Béatrice Dalle, Matti Pellonpaa, e outros?

No aeroporto de Los Angeles uma taxista e uma agente de elenco se encontram para nos falar muito sobre nossos sonhos, as metas que estabelecemos para nossas vidas e os tantos estereótipos que rodeiam nosso cotidiano e nossos planos; enquanto, em Nova Iorque, um morador do Brooklyn, que tenta, a qualquer custo, conseguir um táxi que aceite o levar para casa, encontra um taxista alemão, que mal fala inglês e mal sabe dirigir, nos presenteando com diálogos ao mesmo tempo extremamente engraçados, dramáticos e filosóficos. Na maravilhosa Paris um taxista da Costa do Marfim encontra, primeiramente, clientes racistas, que o deixam extremamente nervoso, e depois uma cliente cega, que também o deixa nervoso, mas de outras formas, e com outras surpresas, nos mostrando as várias visões que o corpo pode nos dar, e a relação dos nossos sentidos com o mundo e a sociedade. Em Roma contamos com a incrível atuação de Roberto Benigni, que dá vida a um taxista um tanto quanto acelerado, e completamente engraçado, que toma conta da cena, roubando todo e qualquer diálogo que seu passageiro pudesse ter. Já em Helsinki, quase amanhecendo, três amigos bêbados, com uma história triste, encontram um taxista sóbrio, com uma história ainda mais triste a contar.

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É muito interessante notar a atenção que Jarmusch dá aos fusos horários, os sotaques e as línguas ao longo desses contos, porque são esses detalhes que tornam o longa tão admirável. E é importante ressaltar que, se você procura um filme linear, com um mesmo padrão de história e um mesmo nível de interpretação dos atores e atrizes, “Night on Earth” pode não ser indicado nesse momento; mas se você está aberto a um filme diferente, que é contagiante de várias formas, e excelente em todas, pegue logo uma pipoca, um café, cigarro, ou seja lá qual for o seu ritual, e vá assisti-lo!

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Rubem Fonseca: amor à primeira linha!

Me apaixonei pelo mineiro Rubem Fonseca quando li a epígrafe escolhida para o livro que comento hoje: “Histórias de Amor”. A frase de abertura é “Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga”, de Jean Anouilh. O livro compila sete contos, nos quais o tema central é, obviamente, o amor; o que pode enganar as expectativas dos que ainda não conhecem o autor, e procuram o livro esperando sentimentalismo e romantismo. Aqui temos o amor e a crueldade andando de mãos dadas, pitadas de um humor ferino, uma paixão carnal, e merda. Sim, merda!

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Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8571646929
Ano: 1997
Páginas: 135

Os dois primeiros contos da obra, “Betsy” e “Cidade de Deus”, são curtíssimos, e por isso prefiro não fazer comentários sobre seu enredo; mas são boas leituras, apesar de ainda não serem o melhor de Rubão. A coisa começa a esquentar quando chegamos em “Família”, no qual encontramos uma temática que, hoje, ainda gera polêmica, e que, portanto, em 1997 (data da publicação), com certeza gerou uma bela discussão. E que bom que temos autores assim, que não tem medo de colocar os temas inerentes a vida, no papel; que não tem medo de tratar os dramas humanos, ao mesmo tempo, de forma simples, e com maestria.

“O Anjo da Guarda”, conto seguinte, traz uma daquelas histórias em que você se pega torcendo para que algo moralmente Imagemjulgado ocorra; e também uma bela reflexão sobre lealdade. Nesse conto, as reviravoltas vão acontecendo de forma rápida e intensa, de forma que o leitor não consegue parar de ler, e o mais interessante é isso: Rubem Fonseca escreve as amarras que nos prendem ao seu texto! O próximo conto é “Viagem de núpcias”, que joga na nossa cara que amamos a realidade, nos apaixonamos por aquilo que faz o ser humano ser possível, e esse é um dos melhores contos do livro, com certeza. Quando o li, lembrei-me muito de “Merda e ouro”, do Leminski, e de um texto chamado “Os ritos corporais entre os Nacirema”, que li para uma matéria da faculdade, sem muitas esperanças de me interessar, e acabei achando o máximo, e indico a todos e todas!

Temos, então, a chave de ouro; os dois contos que encerram o livro são para aplaudir sem dó: “O amor de Jesus no coração”, que não tem nem um pouco de pudor religioso, ou qualquer tipo de moralismo; e “Carpe Diem”, com diálogos incríveis, do início ao fim! O primeiro nos mostra como podemos não enxergar de olhos abertos, quando estamos sujeitos a cegueiras subjetivas, o que é uma reflexão atemporal e, portanto, sempre relevante! E o segundo nos apresenta uma teia intrincada de personagens e acontecimentos que se sucedem sem muito controle e vão levando o leitor a se perder e se apaixonar por cada personagem, através dos diálogos incríveis que Rubem Fonseca cria.

E para finalizar essa conversa: saia daqui, e vá ler Rubão!

“Arte e manhas”: dois artistas e muita arte!

Quem nunca pensou: “vou fazer um projeto de 365 (insira aqui o que você sabe, gosta ou quer aprender a fazer) em um ano”? Pois bem, quase todo mundo já pensou em fazer esse tipo de projeto, seja para realização pessoal ou não; e alguns artistas resolveram colocar em prática essas ideias. Hoje, no Muquifo, falaremos de um artista brasileiro e um mexicano que resolveram fazer uma ilustração por dia: orgulhosamente, apresentamos, André Forni e César Moreno.
 
César Moreno é mexicano e suas ilustrações representam, em geral, personagens da cultura pop, incluindo aí filmes, jogos, música, cinema e séries de TV. O que faz de suas ilustrações tão marcantes é seu traço, ao mesmo tempo firme e sutil. Tanto para os que tem, quanto para os que não tem, facilidade para desenhar, ver o que esse cara consegue fazer com papel e caneta chega a dar um nózinho na garganta! Você pode conferir o seu projeto de 365 ilustrações em um ano, e outros trabalhos seus, aqui.
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Outro que topou o projeto de fazer uma ilustração por dia é André Forni, genial artista brasileiro, que já trabalhou com animação em Kung Fu Panda, O bicho vai pegar 2 e 3, entre outros filmes. Suas ilustrações não tem uma temática padrão definida, são um desafio não só em termos de técnica, mas também de concepção, e ainda assim, o resultado é sempre incrível: seu traço não é marcado, e cria imagens que lembram o surrealismo, a medida que também lembram uma incrível tela em aquarela, e sempre com uma paleta de cores super harmônica. Você pode conferir o resultado desse projeto aqui e se deliciar com os vídeos do processo de produção de algumas dessas obras aqui.
 
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“Que frase hein?!”: Leia o Guia!

Hoje o Muquifo traz, em sua tag literária, um pouco de nerdice, da boa! Listamos 9 motivos para você ler o tão famoso e aclamado “Guia do Mochileiro das Galáxias”, seja você criança, adulto, adolescente, idoso, ou até mesmo vogon! Antes de tudo, porém, uma breve sinopse pra quem não sabe do que estou falando (alô? de que planeta você é?).

‘O guia do mochileiro das galáxias’ conta as aventuras espaciais do inglês Arthur Dent e de seu amigo Ford Prefect. A dupla escapa da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Prefect, um E.T. que vivia disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do Guia do mochileiro das galáxias, o melhor guia de viagens interplanetário.

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1) É um livro infantil que não é só para crianças: digo isso porque o Guia é um livro infantil, e qualquer criança poderia ler, mas sinceramente acho que todos deviam ler esse livro uma vez por ano, pra sempre, porque a medida que se torna mais maduro é possível perceber no texto de Douglas Adams toda a crítica já característica da ficção científica, em personagens como Zaphod Beeblebrox, o presidente da galáxia, entre outras personagens e situações. Mas se você tem filhos pequenos, leia para eles ou deixe-os ler, porque essas críticas estão nas entrelinhas, e as crianças irão aproveitar a leitura, e rir muito, mesmo com toda essa acidez da história!

2) Antecipou o e-reader: é incrível como os livros de ficção científica conseguem apostar em tecnologias que, futuramente, se tornam realidade! E com o Guia não é diferente: Adams deu spoiler dos e-readers, tradutores simultâneos, e ainda por cima, o aplicativo Trillian só tem esse nome graças ao nosso querido Douglas Adams, que criou a brilhante astrofísica Tricia McMillian.

3) É impossível parar de ler: não importa se você está atrasado, se você precisa sair do ônibus, ou se o seu café vai evaporar na chaleira… não dá pra parar de ler o Guia. Douglas Adams tem uma escrita que flui muito bem, porque é agradável e engraçada, ao mesmo tempo que é crítica, irônica, e principalmente, inteligente!

4) É multimídia: O Guia, para um livro que foi escrito na década de 70, está bastante a frente do seu tempo, em se tratando de tecnologia. Isso porque a série, além dos livros, tem peça de teatro, foi transmitida na rádio, tem filme, jogo, tem de tudo… e o mais interessante é que, na verdade, ela nem começou nos livros, começou no rádio! E vamos combinar que, em 2014, são poucas as franquias que dão conta de se desenvolver em tantos meios, imagina na década de 70?

5) Você pode se sentir um alien: O universo no qual se passa o Guia é exatamente o universo, todo, e por isso tem criatura de tudo quanto é forma, cor, jeito… e, acredite, você vai se identificar demais com algum personagem que pode vir a ter três cabeças, de repente ser um peixe, ou de repente ser plasma; e você vai se sentir em casa mesmo que a descrição seja a de um planeta extremamente rico e fora da nossa realidade. E isso acontece porque Douglas Adams foi genial na criação dos seus personagens e dos seus ambientes!

6) Existe um asteróide chamado “25924 Douglasadams”: não preciso dizer mais nada!

7) Existe um dia para homenagear Douglas Adams: O Guia é tão incrível, atingiu tantas pessoas, e mostrou a genialidade de Douglas Adams ao mundo de tal forma que existe até um dia para homenagear o autor. É o chamado “Dia da toalha”, comemorado em 25 de maio.

8) Ele te dá a resposta do universo: se eu disser mais do que isso, provavelmente darei spoilers, e não quero estragar a experiência de leitura de ninguém, então conviva com o fato de que você saberá a resposta para a Vida, o Universo e Tudo Mais. Inclusive, se você digitar “the answer to life, the universe and everything” no Google, a calculadora do google irá te dar essa resposta que Douglas Adams nos deu!

9) Qualquer um pode ler: existem livros de ficção científica que exigem do leitor uma certa bagagem dentro do gênero, não só por conta de referências e citações, mas por conta da densidade da escrita mesmo. No Guia não temos esse “problema”: qualquer um pode ler, e ter níveis diferentes de compreensão; e por isso esse é um excelente livro pra você que quer começar a ler ficção científica, mas está um pouco perdido!

Aqui você pode ver um infográfico de curiosidades do Guia que é muito legal, e aqui uma lista de curiosidades não só dos livros e filmes, mas também da transmissão na rádio, das séries, etc. Leia o livro, e delicie-se 😉

“Que frase hein?!”: Sejamos infinitos…

Hoje temos no Muquifo pitadas de literatura e de adolescência, comentando sobre o livro “As vantagens de ser invisível”, de Stephen Chbosky. Antes de mais nada, porém, peço que você leia esse texto ouvindo a música “Landslide”, de Fleetwood Mac, ou “Asleep”, do Smiths (as duas são facilmente encontradas no grooveshark, então corre lá!)

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Pois bem, “As vantagens de ser invisível” (título original: “The Perks of Being a Wallflower”) foi publicado nos EUA em 1999, chegou ao Brasil, pela Editora Rocco, em 2007, e é o livro de estreia do autor, que já trabalha como roteirista. Toda a história do livro é contada através de cartas que são enviadas de Charlie, o protagonista, para alguém anônimo que ele sabe que irá prestar atenção naquilo que ele conta; e quem mais, além do leitor, poderia ser esse destinatário? Charlie, um adolescente que está entre os 14 ou 15 anos, nos conta suas experiências, sentimentos e pensamentos.

Esse é um daqueles livros que são, ao mesmo tempo, hilários, e também sufocantes. Charlie é um garoto que observa mais do que participa de sua própria vida, e ao longo do livro percebemos como ele lida com isso, como faz amigos, como lida com a escola, como são suas primeiras festas, seus primeiros encontros amorosos, suas experiências com drogas lícitas e ilícitas, sua relação familiar, e tudo isso que ronda a vida de qualquer adolescente. Contar qual é, exatamente, o conteúdo de cada uma dessas cartas, estragaria a experiência de lê-las, portanto vou me limitar a contar isso, o que já é, inclusive, muita coisa!

O livro tem problemas? Sim, principalmente a edição brasileira. A tradução do título poderia ter sido melhor, apesar de não ter sido tão horrível, e a primeira edição lançada pela Rocco tem vários problemas de revisão, que diminuem já na segunda edição (com a capa do filme). Além disso, há um único acontecimento do livro que, acho eu, é colocado de uma forma complicada na narrativa (pra quem já leu, tem a ver com a Tia Helen, rs), porque é simplesmente inserido na história sem um contexto pré-desenvolvido (novamente, pra quem já leu, o que pode ser positivo também, já que temos acesso ao ponto de vista de Charlie, que também recebe esse acontecimento de forma abrupta) mas é importante ressaltar que isso não estraga a experiência do livro, e não faz dele um livro ruim…de forma alguma! É uma excelente leitura! Flui de forma muito gostosa, e é interessante perceber como nós, leitores, acreditamos sempre no que Charlie nos conta, porque, afinal, quem disse que tudo isso que ele diz nas cartas é a realidade da vida do personagem? Fiquem com essa pulga aí atrás da orelha, e corram atrás do livro! A leitura vale muito a pena, não só para quem é adolescente, mas para todos! 😉

“Sétima”: Curta curtas!

Hoje o Muquifo ficou maluco e vai falar logo é de vários filmes, rs
Comento hoje sobre alguns dos filmes assistidos nas competitivas nacionais do Primeiro Plano, festival de cinema de Juiz de Fora e mercocidades, que aconteceu no ano passado, de 25 a 30 de novembro. Como serão muitos os filmes apresentados, os comentários serão breves, mas alguns deles ganharão um maior espaço por aqui no futuro 😀

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– “Paleolito”: o filme é uma animação de 6 minutos que conta a história de um homem das cavernas e seu aliado, Paleolito, que assumem a missão de caçar um mamute mal-humorado! O curta é roteirizado por Ismael Lito, que também fez a direção, junto com Gabriel Calegario. O filme é bem legal, e bastante engraçado; a animação é muito bem feita! Vale muito a pena assistir!

– “Projeto V.I.D.A”: mais uma animação, dessa vez de 9 minutos, que mostra uma realidade onde duas nações decidem enviar ao espaço dois robôs, para que explorem o universo atrás de planetas capazes de abrigar vida, já que a Terra em breve não será mais capaz de abrigá-la. O roteiro é de Gabriel Dore e Gustavo Rodrigues, que fez também a direção. Esse tem uma animação incrível, e passa uma mensagem muito interessante, além de ser também muito engraçada a relação dos dois robôs. Assistam!

– “O Pacote”: temos aqui a história de Leandro e Jefferson, que em uma nova escola acabam criando rapidamente uma conexão, que não é uma amizade comum. Para que Jeff e Leandro fiquem juntos, porém, há algo que faz parte do pacote. O filme é incrível e a atuação dos atores contribui muito para isso, além da própria trama. Esse é mais um dos filmes que rolaram no festival que precisa ser assistido por todos que gostam de cinema de verdade. O roteiro e a direção são de Rafael Aidar.

– “Úrsula tem sempre razão”: em 17 minutos o filme, com roteiro de Elias Guerra e direção de Akira Martins, apresenta um assassino de aluguel contratado para um trabalho na noite do aniversário de seu filho. Temos aqui a história do assassino, que é muito bem estruturada, e também a relação familiar entre pai e filho. Outro excelente curta, com uma direção muito bem feita, e um roteiro extremamente bem pensado!

– “Antes de palavras”: curta com direção e roteiro de Diego Carvalho de Sá, que traz a aproximação entre Célio e Dário. Estudantes de uma mesma escola que, através de livros e músicas, criam uma conexão particular. O curta explora de forma muito sutil e muito delicada a aproximação entre os dois garotos, e é justamente isso que o faz ser tão bonito. O trabalho das cores, a delicadeza das imagens! Assistam, porque vale a pena!

– “O sol pode cegar”: por mais que já esteja redundante ficar falando a palavra “incrível”, é esse o único adjetivo que consigo pensar para esse curta. Paulo, um adolescente, perde sua virgindade com Maria, empregada de sua casa. E em meio a todas as confusões da adolescência, diferenças sociais começam a surgir e então temos o ápice do curta, que é claro, não vou contar, porque todos precisam assistir! Tanto o roteiro quanto a direção são de Toti Loureiro, e olha, está de parabéns!

– “Lembranças de Maura”: o curta, com direção e roteiro de Bruna Lessa, mostra a realidade de Alice, 8 anos, que se muda para a casa da avó, que sofre com uma doença degenerativa, com os pais, e precisa aprender a lidar com essa nova experiência. Esse é um daqueles curtas que conseguem te fazer rir e chorar ao mesmo tempo, porque mostra de forma muito fidedigna a realidade de uma doença desse tipo, que ao mesmo tempo que é muito triste, tem também cenas engraçadas, que parecem surreais para quem nunca acompanhou de perto alguém que sofre com esse drama. Mais um que entra para a lista “Todos devem assistir”.

– “Cajamar”: com direção e roteiro de Bruno Risas Rodrigues, “Cajamar” levantou opiniões diversas no dia de sua exibição. Esse é um curta mais experimental, então não adianta forçar os amantes do clássico a assistirem porque a experiência com certeza não será agradável, mas se você aceita melhor esse tipo de filme, veja! E é só isso que eu posso dizer para não estragar essa experiência.

– “Au Revoir”: temos aqui a história de duas vizinhas, que são unidas e separadas por um mesmo corredor. Mais um daqueles com cenas delicadas, sutis, e ao mesmo tempo com uma mensagem forte. Tanto o roteiro quanto a direção são de Milena Times, e mais uma vez parabenizo o trabalho, porque a construção das personagens, considerando um filme de apenas 20 minutos, foi muito bem feita!

– “Na medida do possível”: esse é um curta de drama e de comédia. Sim, isso é possível. Acompanhamos aqui a gravação de um longa, no qual diretor e protagonista começam a ter problemas durante as filmagens, e então temos a sobreposição dessas duas histórias, do ponto de vista de quem faz o filme. Vale muito a pena assistir, principalmente para quem tem interesse em fazer cinema!

Como são muitos os filmes exibidos no festival, é complicado falar de todos em um só post, então selecionei aqui alguns dos que vi para comentar, e ao longo do tempo outros muitos vão surgindo. De qualquer forma, prestigiem os festivais de suas respectivas regiões, porque dá pra conhecer muito filme bom e muita gente boa fazendo cinema atualmente, e é justamente isso que dá um ar novo ao cinema brasileiro!

“Que frase hein?!”: Marketing literário que conquista!

Pense na seguinte estratégia de marketing: você tem um produto X e você irá vendê-lo dizendo que ele é um produto tão incrível, que você não pode saber exatamente pra que ele serve, mas para que alguém se interesse por esse produto você deixará uma pista de em que situação ele poderia ser usado. Detalhe: Seu produto tem uma embalagem maravilhosa. Pois bem, essa é a estratégia de marketing do livro “Pequena Abelha”, do Chris Cleave. E acreditem, funciona e é real (juro que essa última frase não foi retirada de um livro auto-ajuda).

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O texto que encontramos onde normalmente está a sinopse do livro é o seguinte: “Não queremos lhe contar o que acontece neste livro. É realmente uma história especial, e não queremos estragá-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte: Esta é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler este livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como esta narrativa se desenrola”.

Quem escreveu essa quase sinopse estava certo: essa é uma história especial. O livro é muito bem escrito, daquele tipo que faz você virar a noite lendo, sem nem perceber, além de tratar de uma forma muito delicada, e ao mesmo tempo, perturbadora, as emoções envolvidas em torno da história. Contar a trama do livro talvez atraísse muitos leitores, mas iria lhes tirar a experiência de ir descobrindo tudo o que essa história pode nos mostrar. E por quê, então, fazer um post sobre um livro do qual não vou nem dar um gostinho da história? Porque todas as pessoas do mundo precisam ler este livro: ele é delicado, ao mesmo tempo que é um absurdo de perturbador, e comovente; realmente impressionante! Chris Cleave tem uma escrita que, no começo, pode ser um pouco diferente para algumas pessoas, mas em pouco tempo o autor já consegue armar o bote e deixar o leitor preso ao livro até que ele chege a última página! Faça um favor a você mesmo: inclua este livro na sua lista de leituras para 2014!

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“Que frase hein?!”: Quem te dedica?

Comentamos em nossa página do facebook sobre o projeto “Eu te dedico”, no qual podemos encontrar diversas dedicatórias em livros, com seus sentimentos e história registrados, agora não só no papel, mas em fotos e na internet. Pensando nisso o Muquifo preparou um “Que frase hein?!” diferente para essa semana: faremos um pequeno compilado de diversos materiais sobre dedicatórias em livros, e de tabela uma micro história de uma dedicatória em um livro dessa que vos fala!

Pra começar o post com o pé direito, dois vídeos da poetisa e vlogueira Juliana Gervason, sobre livros com dedicatórias: os vídeos já são um pouco antigos, mas isso não faz com que deixem de ser interessantes para todo amante de literatura e livros. Temos aqui dedicatórias de Mia Couto a Benedito Nunes, passando por Adélia Prado e Affonso Romano de Sant’anna.

Não poderia ficar de fora desse post também essa dedicatória que J.K. Rowling fez em “Harry Potter e as Relíquias da morte”, e que deixou muitos fãs com os olhos lacrimejando por aí:

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Outra dedicatória que tirou lágrimas dos olhos de muita gente por aí é a d”O pequeno príncipe”, e é claro que ela está por aqui:

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Também não poderíamos esquecer do projeto “The Book Inscriptions Project”, criado por Shaun Raviv, que reúne não só dedicatórias, mas também anotações e recados deixados em livros, e dentre as imagens desse projeto encontramos pérolas como essa:

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(Site do projeto: http://bookinscriptions.com/books/)

E é claro que não faltaria a presença do “Eu te dedico”, com essas duas dedicatórias lindas:

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(Site do projeto: eutededico.com.br)

Por fim, a história de uma dedicatória em um livro meu! O livro é o “escreva lola escreva”, da Lola Aronovich, que para quem não conhece é uma professora, crítica de cinema, blogueira e feminista. Conheci o blog da autora já faz um bom tempo, e ele foi extremamente importante na minha vida: o conheci através de uma professora que gosto muito, e que junto aos textos do blog, me fez repensar muitas coisas e consequentemente fez minha visão de mundo mudar totalmente. Logo, sou muito grata a ambas. Um belo dia, Lola veio participar de uma mesa de debates em minha cidade, e por mais que tenha sido um sacrifício absurdo acordar tão cedo para conseguir chegar ao evento, eu fui, e é claro que tietei a mulher tanto quanto pude: tirei fotos, conversei por todo o tempo que pudemos (inclusive, ela é uma fofa, super simpática) e, obviamente, pedi uma dedicatória, que finalizará nossa tag literária de hoje:

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“Sétima”: mais uma flor rara no cinema brasileiro.

Joseph Climber diria “A vida é uma caixinha de surpresas”, pois eu digo: O cinema brasileiro é uma caixinha de surpresas”. Hoje o Muquifo apresenta mais um filme brasileiro, “Paraísos Artificiais”, lançado em 2012, com direção de Marcos Prado, que também fez o roteiro junto com Cristiano Gualda e Pablo Padilla.

O filme, basicamente, nos conta a história de Nando e Érika, que se conhecem em Amsterdã, e se apaixonam. Essa não é, porém, uma história de amor clichê de um filme norte-americano qualquer: Nando e Érika tem seus dilemas próprios, o filme trata muito da questão das drogas também, festas rave, relações familiares, e etc.

Pois bem, esse filme tem pontos negativos e pontos positivos muito relevantes, e por isso tem amantes e carrascos. A premissa do filme é interessante, mas o roteiro não é tão bom! A narrativa não é linear, o que acho muito legal, ainda mais em se tratando de cinema brasileiro atual, e a dinâmica e o ritmo que esse tipo de narrativa deu ao filme resultou em um efeito legal, mas ainda assim, o roteiro não é dos melhores. Esse é o grande ponto negativo do filme. E o grande ponto positivo, que sinceramente acho que é o que fez com que eu gostasse tanto dele, é a fotografia: a iluminação desse filme é incrível, e a fotografia é perfeita! Não há mais o que dizer! Por mais que o roteiro deixe a desejar, a fotografia salva o filme!

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Uma crítica que muita gente faz é ao fato de tantas drogas estarem presentes no filme, e serem tratadas com tanta naturalidade e familiaridade pelos personagens. Essa crítica não faz muito sentido aos meus ouvidos, porque o filme mostra a perspectiva desses personagens, e a relação deles com as drogas, logo reflete a naturalidade ou não com que tratam esse tipo de substância, e também mostra como varia a postura de alguns personagens frente o consumo e venda de drogas. A forma como essa questão é tratada no filme, pra mim, é exatamente o oposto de algo negativo: porque me parece muito mais verossimilhante, além de não ficar impregnado de moralismos bobos.

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O filme, portanto, vale a pena ser visto, nem que seja só pela sua fotografia maravilhosa. E se você gosta de música eletrônica e de toda a cultura por trás das raves, precisa assisti-lo, nem que seja para criticar! E vejo esse filme como um ponto muito original dentro do cinema brasileiro, por isso me referi a caixinha de surpresas: quando foi que, nos últimos 10 ou 5 anos, tivemos um filme que fez um certo sucesso, com uma trama que não fosse uma comédia romântica com grandes hits da internet ou algo como “Se eu fosse você”? Digo para esse filme algo parecido com o que disse para “Flores Raras”. Eles fizeram algo diferente do que está e estava sendo massivamente produzido no cinema brasileiro, e fizeram bem; portanto deêm uma chance a “Paraísos Artificiais” e assistam!

“Arte e manhas”: um Latuff incomoda muita gente…

A “Arte e manhas” dessa semana traz um cartunista carioca que divide opiniões. O Muquifo orgulhosamente apresenta: Carlos Latuff.
ImageA carreira desse grande artista brasileiro começa em 1989 quando ele trabalhou com ilustrações em uma agência de propaganda; depois disso sua primeira charge é publicada em um boletim do Sindicato dos Estivadores e a partir de então seu trabalho se volta para a questão política, e oficialmente Latuff se torna o cartunista que conhecemos: sempre envolvido com a imprensa sindical, e principalmente com a militância artística ativa na internet e em meios de diversas partes do mundo. O trabalho do cara tem visibilidade internacional, dentro de diversos movimentos, e a primeira charge brasileira a participar do Concurso Internacional de Caricaturas sobre o Holocausto (organizado em 2006, no Irã, pelo jornal Hamshahri) é de sua autoria, e obteve o segundo lugar.
ImageE fica a pergunta: por quê Latuff divide opiniões? Glauber Rocha já nos disse que “A função do artista é violentar”, e Latuff faz jus a isso: ele violenta tudo aquilo que nos transforma na sociedade cheia de doenças na qual estamos inseridos. Com seu olhar crítico e ácido, Latuff critica de forma brilhante os abusos de poder, o consumismo, o capitalismo, as guerras cruéis que fazem parte do nosso cotidiano, e que de certa forma acabaram sendo naturalizadas. E é claro, isso incomoda! E que bom que temos artistas brasileiros incomodando, não é?

Para finalizar, ao invés de ficar repetindo o quanto seu trabalho é respeitável e incrível, nada melhor do que deixar aqui algumas doses de sua arte:

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Para conhecer mais do seu trabalho é muito simples, visite seu perfil no facebook: https://www.facebook.com/realcarloslatuff