“Que frase hein?!”: Sejamos infinitos…

Hoje temos no Muquifo pitadas de literatura e de adolescência, comentando sobre o livro “As vantagens de ser invisível”, de Stephen Chbosky. Antes de mais nada, porém, peço que você leia esse texto ouvindo a música “Landslide”, de Fleetwood Mac, ou “Asleep”, do Smiths (as duas são facilmente encontradas no grooveshark, então corre lá!)

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Pois bem, “As vantagens de ser invisível” (título original: “The Perks of Being a Wallflower”) foi publicado nos EUA em 1999, chegou ao Brasil, pela Editora Rocco, em 2007, e é o livro de estreia do autor, que já trabalha como roteirista. Toda a história do livro é contada através de cartas que são enviadas de Charlie, o protagonista, para alguém anônimo que ele sabe que irá prestar atenção naquilo que ele conta; e quem mais, além do leitor, poderia ser esse destinatário? Charlie, um adolescente que está entre os 14 ou 15 anos, nos conta suas experiências, sentimentos e pensamentos.

Esse é um daqueles livros que são, ao mesmo tempo, hilários, e também sufocantes. Charlie é um garoto que observa mais do que participa de sua própria vida, e ao longo do livro percebemos como ele lida com isso, como faz amigos, como lida com a escola, como são suas primeiras festas, seus primeiros encontros amorosos, suas experiências com drogas lícitas e ilícitas, sua relação familiar, e tudo isso que ronda a vida de qualquer adolescente. Contar qual é, exatamente, o conteúdo de cada uma dessas cartas, estragaria a experiência de lê-las, portanto vou me limitar a contar isso, o que já é, inclusive, muita coisa!

O livro tem problemas? Sim, principalmente a edição brasileira. A tradução do título poderia ter sido melhor, apesar de não ter sido tão horrível, e a primeira edição lançada pela Rocco tem vários problemas de revisão, que diminuem já na segunda edição (com a capa do filme). Além disso, há um único acontecimento do livro que, acho eu, é colocado de uma forma complicada na narrativa (pra quem já leu, tem a ver com a Tia Helen, rs), porque é simplesmente inserido na história sem um contexto pré-desenvolvido (novamente, pra quem já leu, o que pode ser positivo também, já que temos acesso ao ponto de vista de Charlie, que também recebe esse acontecimento de forma abrupta) mas é importante ressaltar que isso não estraga a experiência do livro, e não faz dele um livro ruim…de forma alguma! É uma excelente leitura! Flui de forma muito gostosa, e é interessante perceber como nós, leitores, acreditamos sempre no que Charlie nos conta, porque, afinal, quem disse que tudo isso que ele diz nas cartas é a realidade da vida do personagem? Fiquem com essa pulga aí atrás da orelha, e corram atrás do livro! A leitura vale muito a pena, não só para quem é adolescente, mas para todos! 😉

“Sétima”: Curta curtas!

Hoje o Muquifo ficou maluco e vai falar logo é de vários filmes, rs
Comento hoje sobre alguns dos filmes assistidos nas competitivas nacionais do Primeiro Plano, festival de cinema de Juiz de Fora e mercocidades, que aconteceu no ano passado, de 25 a 30 de novembro. Como serão muitos os filmes apresentados, os comentários serão breves, mas alguns deles ganharão um maior espaço por aqui no futuro 😀

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– “Paleolito”: o filme é uma animação de 6 minutos que conta a história de um homem das cavernas e seu aliado, Paleolito, que assumem a missão de caçar um mamute mal-humorado! O curta é roteirizado por Ismael Lito, que também fez a direção, junto com Gabriel Calegario. O filme é bem legal, e bastante engraçado; a animação é muito bem feita! Vale muito a pena assistir!

– “Projeto V.I.D.A”: mais uma animação, dessa vez de 9 minutos, que mostra uma realidade onde duas nações decidem enviar ao espaço dois robôs, para que explorem o universo atrás de planetas capazes de abrigar vida, já que a Terra em breve não será mais capaz de abrigá-la. O roteiro é de Gabriel Dore e Gustavo Rodrigues, que fez também a direção. Esse tem uma animação incrível, e passa uma mensagem muito interessante, além de ser também muito engraçada a relação dos dois robôs. Assistam!

– “O Pacote”: temos aqui a história de Leandro e Jefferson, que em uma nova escola acabam criando rapidamente uma conexão, que não é uma amizade comum. Para que Jeff e Leandro fiquem juntos, porém, há algo que faz parte do pacote. O filme é incrível e a atuação dos atores contribui muito para isso, além da própria trama. Esse é mais um dos filmes que rolaram no festival que precisa ser assistido por todos que gostam de cinema de verdade. O roteiro e a direção são de Rafael Aidar.

– “Úrsula tem sempre razão”: em 17 minutos o filme, com roteiro de Elias Guerra e direção de Akira Martins, apresenta um assassino de aluguel contratado para um trabalho na noite do aniversário de seu filho. Temos aqui a história do assassino, que é muito bem estruturada, e também a relação familiar entre pai e filho. Outro excelente curta, com uma direção muito bem feita, e um roteiro extremamente bem pensado!

– “Antes de palavras”: curta com direção e roteiro de Diego Carvalho de Sá, que traz a aproximação entre Célio e Dário. Estudantes de uma mesma escola que, através de livros e músicas, criam uma conexão particular. O curta explora de forma muito sutil e muito delicada a aproximação entre os dois garotos, e é justamente isso que o faz ser tão bonito. O trabalho das cores, a delicadeza das imagens! Assistam, porque vale a pena!

– “O sol pode cegar”: por mais que já esteja redundante ficar falando a palavra “incrível”, é esse o único adjetivo que consigo pensar para esse curta. Paulo, um adolescente, perde sua virgindade com Maria, empregada de sua casa. E em meio a todas as confusões da adolescência, diferenças sociais começam a surgir e então temos o ápice do curta, que é claro, não vou contar, porque todos precisam assistir! Tanto o roteiro quanto a direção são de Toti Loureiro, e olha, está de parabéns!

– “Lembranças de Maura”: o curta, com direção e roteiro de Bruna Lessa, mostra a realidade de Alice, 8 anos, que se muda para a casa da avó, que sofre com uma doença degenerativa, com os pais, e precisa aprender a lidar com essa nova experiência. Esse é um daqueles curtas que conseguem te fazer rir e chorar ao mesmo tempo, porque mostra de forma muito fidedigna a realidade de uma doença desse tipo, que ao mesmo tempo que é muito triste, tem também cenas engraçadas, que parecem surreais para quem nunca acompanhou de perto alguém que sofre com esse drama. Mais um que entra para a lista “Todos devem assistir”.

– “Cajamar”: com direção e roteiro de Bruno Risas Rodrigues, “Cajamar” levantou opiniões diversas no dia de sua exibição. Esse é um curta mais experimental, então não adianta forçar os amantes do clássico a assistirem porque a experiência com certeza não será agradável, mas se você aceita melhor esse tipo de filme, veja! E é só isso que eu posso dizer para não estragar essa experiência.

– “Au Revoir”: temos aqui a história de duas vizinhas, que são unidas e separadas por um mesmo corredor. Mais um daqueles com cenas delicadas, sutis, e ao mesmo tempo com uma mensagem forte. Tanto o roteiro quanto a direção são de Milena Times, e mais uma vez parabenizo o trabalho, porque a construção das personagens, considerando um filme de apenas 20 minutos, foi muito bem feita!

– “Na medida do possível”: esse é um curta de drama e de comédia. Sim, isso é possível. Acompanhamos aqui a gravação de um longa, no qual diretor e protagonista começam a ter problemas durante as filmagens, e então temos a sobreposição dessas duas histórias, do ponto de vista de quem faz o filme. Vale muito a pena assistir, principalmente para quem tem interesse em fazer cinema!

Como são muitos os filmes exibidos no festival, é complicado falar de todos em um só post, então selecionei aqui alguns dos que vi para comentar, e ao longo do tempo outros muitos vão surgindo. De qualquer forma, prestigiem os festivais de suas respectivas regiões, porque dá pra conhecer muito filme bom e muita gente boa fazendo cinema atualmente, e é justamente isso que dá um ar novo ao cinema brasileiro!

“Que frase hein?!”: Marketing literário que conquista!

Pense na seguinte estratégia de marketing: você tem um produto X e você irá vendê-lo dizendo que ele é um produto tão incrível, que você não pode saber exatamente pra que ele serve, mas para que alguém se interesse por esse produto você deixará uma pista de em que situação ele poderia ser usado. Detalhe: Seu produto tem uma embalagem maravilhosa. Pois bem, essa é a estratégia de marketing do livro “Pequena Abelha”, do Chris Cleave. E acreditem, funciona e é real (juro que essa última frase não foi retirada de um livro auto-ajuda).

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O texto que encontramos onde normalmente está a sinopse do livro é o seguinte: “Não queremos lhe contar o que acontece neste livro. É realmente uma história especial, e não queremos estragá-la. Ainda assim, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte: Esta é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler este livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como esta narrativa se desenrola”.

Quem escreveu essa quase sinopse estava certo: essa é uma história especial. O livro é muito bem escrito, daquele tipo que faz você virar a noite lendo, sem nem perceber, além de tratar de uma forma muito delicada, e ao mesmo tempo, perturbadora, as emoções envolvidas em torno da história. Contar a trama do livro talvez atraísse muitos leitores, mas iria lhes tirar a experiência de ir descobrindo tudo o que essa história pode nos mostrar. E por quê, então, fazer um post sobre um livro do qual não vou nem dar um gostinho da história? Porque todas as pessoas do mundo precisam ler este livro: ele é delicado, ao mesmo tempo que é um absurdo de perturbador, e comovente; realmente impressionante! Chris Cleave tem uma escrita que, no começo, pode ser um pouco diferente para algumas pessoas, mas em pouco tempo o autor já consegue armar o bote e deixar o leitor preso ao livro até que ele chege a última página! Faça um favor a você mesmo: inclua este livro na sua lista de leituras para 2014!

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