“Que frase hein?!”: Quem te dedica?

Comentamos em nossa página do facebook sobre o projeto “Eu te dedico”, no qual podemos encontrar diversas dedicatórias em livros, com seus sentimentos e história registrados, agora não só no papel, mas em fotos e na internet. Pensando nisso o Muquifo preparou um “Que frase hein?!” diferente para essa semana: faremos um pequeno compilado de diversos materiais sobre dedicatórias em livros, e de tabela uma micro história de uma dedicatória em um livro dessa que vos fala!

Pra começar o post com o pé direito, dois vídeos da poetisa e vlogueira Juliana Gervason, sobre livros com dedicatórias: os vídeos já são um pouco antigos, mas isso não faz com que deixem de ser interessantes para todo amante de literatura e livros. Temos aqui dedicatórias de Mia Couto a Benedito Nunes, passando por Adélia Prado e Affonso Romano de Sant’anna.

Não poderia ficar de fora desse post também essa dedicatória que J.K. Rowling fez em “Harry Potter e as Relíquias da morte”, e que deixou muitos fãs com os olhos lacrimejando por aí:

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Outra dedicatória que tirou lágrimas dos olhos de muita gente por aí é a d”O pequeno príncipe”, e é claro que ela está por aqui:

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Também não poderíamos esquecer do projeto “The Book Inscriptions Project”, criado por Shaun Raviv, que reúne não só dedicatórias, mas também anotações e recados deixados em livros, e dentre as imagens desse projeto encontramos pérolas como essa:

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(Site do projeto: http://bookinscriptions.com/books/)

E é claro que não faltaria a presença do “Eu te dedico”, com essas duas dedicatórias lindas:

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(Site do projeto: eutededico.com.br)

Por fim, a história de uma dedicatória em um livro meu! O livro é o “escreva lola escreva”, da Lola Aronovich, que para quem não conhece é uma professora, crítica de cinema, blogueira e feminista. Conheci o blog da autora já faz um bom tempo, e ele foi extremamente importante na minha vida: o conheci através de uma professora que gosto muito, e que junto aos textos do blog, me fez repensar muitas coisas e consequentemente fez minha visão de mundo mudar totalmente. Logo, sou muito grata a ambas. Um belo dia, Lola veio participar de uma mesa de debates em minha cidade, e por mais que tenha sido um sacrifício absurdo acordar tão cedo para conseguir chegar ao evento, eu fui, e é claro que tietei a mulher tanto quanto pude: tirei fotos, conversei por todo o tempo que pudemos (inclusive, ela é uma fofa, super simpática) e, obviamente, pedi uma dedicatória, que finalizará nossa tag literária de hoje:

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“Sétima”: mais uma flor rara no cinema brasileiro.

Joseph Climber diria “A vida é uma caixinha de surpresas”, pois eu digo: O cinema brasileiro é uma caixinha de surpresas”. Hoje o Muquifo apresenta mais um filme brasileiro, “Paraísos Artificiais”, lançado em 2012, com direção de Marcos Prado, que também fez o roteiro junto com Cristiano Gualda e Pablo Padilla.

O filme, basicamente, nos conta a história de Nando e Érika, que se conhecem em Amsterdã, e se apaixonam. Essa não é, porém, uma história de amor clichê de um filme norte-americano qualquer: Nando e Érika tem seus dilemas próprios, o filme trata muito da questão das drogas também, festas rave, relações familiares, e etc.

Pois bem, esse filme tem pontos negativos e pontos positivos muito relevantes, e por isso tem amantes e carrascos. A premissa do filme é interessante, mas o roteiro não é tão bom! A narrativa não é linear, o que acho muito legal, ainda mais em se tratando de cinema brasileiro atual, e a dinâmica e o ritmo que esse tipo de narrativa deu ao filme resultou em um efeito legal, mas ainda assim, o roteiro não é dos melhores. Esse é o grande ponto negativo do filme. E o grande ponto positivo, que sinceramente acho que é o que fez com que eu gostasse tanto dele, é a fotografia: a iluminação desse filme é incrível, e a fotografia é perfeita! Não há mais o que dizer! Por mais que o roteiro deixe a desejar, a fotografia salva o filme!

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Uma crítica que muita gente faz é ao fato de tantas drogas estarem presentes no filme, e serem tratadas com tanta naturalidade e familiaridade pelos personagens. Essa crítica não faz muito sentido aos meus ouvidos, porque o filme mostra a perspectiva desses personagens, e a relação deles com as drogas, logo reflete a naturalidade ou não com que tratam esse tipo de substância, e também mostra como varia a postura de alguns personagens frente o consumo e venda de drogas. A forma como essa questão é tratada no filme, pra mim, é exatamente o oposto de algo negativo: porque me parece muito mais verossimilhante, além de não ficar impregnado de moralismos bobos.

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O filme, portanto, vale a pena ser visto, nem que seja só pela sua fotografia maravilhosa. E se você gosta de música eletrônica e de toda a cultura por trás das raves, precisa assisti-lo, nem que seja para criticar! E vejo esse filme como um ponto muito original dentro do cinema brasileiro, por isso me referi a caixinha de surpresas: quando foi que, nos últimos 10 ou 5 anos, tivemos um filme que fez um certo sucesso, com uma trama que não fosse uma comédia romântica com grandes hits da internet ou algo como “Se eu fosse você”? Digo para esse filme algo parecido com o que disse para “Flores Raras”. Eles fizeram algo diferente do que está e estava sendo massivamente produzido no cinema brasileiro, e fizeram bem; portanto deêm uma chance a “Paraísos Artificiais” e assistam!

“Arte e manhas”: um Latuff incomoda muita gente…

A “Arte e manhas” dessa semana traz um cartunista carioca que divide opiniões. O Muquifo orgulhosamente apresenta: Carlos Latuff.
ImageA carreira desse grande artista brasileiro começa em 1989 quando ele trabalhou com ilustrações em uma agência de propaganda; depois disso sua primeira charge é publicada em um boletim do Sindicato dos Estivadores e a partir de então seu trabalho se volta para a questão política, e oficialmente Latuff se torna o cartunista que conhecemos: sempre envolvido com a imprensa sindical, e principalmente com a militância artística ativa na internet e em meios de diversas partes do mundo. O trabalho do cara tem visibilidade internacional, dentro de diversos movimentos, e a primeira charge brasileira a participar do Concurso Internacional de Caricaturas sobre o Holocausto (organizado em 2006, no Irã, pelo jornal Hamshahri) é de sua autoria, e obteve o segundo lugar.
ImageE fica a pergunta: por quê Latuff divide opiniões? Glauber Rocha já nos disse que “A função do artista é violentar”, e Latuff faz jus a isso: ele violenta tudo aquilo que nos transforma na sociedade cheia de doenças na qual estamos inseridos. Com seu olhar crítico e ácido, Latuff critica de forma brilhante os abusos de poder, o consumismo, o capitalismo, as guerras cruéis que fazem parte do nosso cotidiano, e que de certa forma acabaram sendo naturalizadas. E é claro, isso incomoda! E que bom que temos artistas brasileiros incomodando, não é?

Para finalizar, ao invés de ficar repetindo o quanto seu trabalho é respeitável e incrível, nada melhor do que deixar aqui algumas doses de sua arte:

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Para conhecer mais do seu trabalho é muito simples, visite seu perfil no facebook: https://www.facebook.com/realcarloslatuff

“Sétima”: Quem vigia os vigilantes, II

Adaptações de obras escritas para o cinema costumam ser controversas, dividindo opiniões e causando um certo frissom entre fãs de antemão e espectadores de primeira viagem. Porém existem algumas obras que, mesmo dêem margem à discussão com relação à duração e quantidade de informações passadas em um brainstorming de duas horas e meia, não deixam nada a desejar quanto à fidelidade e ao comprometimento em passar detalhes importantes ao grande público. Nessa categoria enquadra-se talvez o mais estranho filme de super-heróis da atualidade: Watchmen (2009).

ImagemO filme pode parecer estranho à primeira vista, mas para aqueles que acompanharam a odisséia dos vigilantes de Alan Moore é quase um sonho, pois traz uma fidelidade absurda aos quadrinhos. O diretor Zack Snyder chega a reproduzir diálogos inteiros dos quadrinhos na telona, sem mudar uma palavra. Várias cenas são filmadas sob o mesmo ângulo das ilustraçoes de Dave Gibbons. E quando o espectador começa a acusar um certo cansaço e inicia-se uma leve distração, aparece a figura que fomenta a maioria dos acontecimentos da trama e retrata a figura do herói negligenciado pela sociedade: o alter-ego de Robert Kovacs, Rorshack.

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A estranheza causada pelo filme é evidenciada também na contrução do antagonista: o vilão da trama salva o mundo! E sua “maldade” é transferir a responsailidade de uma possível terceira guerra mundial (nuclear) de blocos econômicos antagônicos para um super humano com capacidade para tanto.

A estética do filme é perfeita e a cena dos créditos iniciais é épica, merece entrar para o rol dos grandes inícios do cinema dos últimos tempos (título recém inventado por esse espectador que vos escreve). A fotografia retrata o caos no qual a sociedade estava inserida além de quase suplicar por si só que alguém tirasse a população daquele ranço de prostituição, esbórnia, luxúria e ganância.

Agora, nada é tão impactante no filme quanto a trilha sonora. É impecável. Dá tons extremamente dramáticos quando o filme necessita do mesmo, cria um horizonte de esperança quando tudo parece caminhar para um desfecho ideal e possui seu clímax (a trilha) na cena em que o Coruja e a Srta. Júpiter fazem sexo a bordo da nave Archimedes levando o espectador á sensação que as personagens estão vivendo, ao som de Hallelujah de Leonard Cohen.

ImagemSão quase três horas de filme e são três horas bem gastas. Vale muito à pena experimentar as sensações de Watchmen.

“Acordes para cuspir”: de tudo um pouco, e de um pouco, tudo.

O “Acordes para cuspir” dessa semana vai do MPB ao rock, passando pelo rap: basicamente uma miscelânea só, e falando apenas de uma única música, e ao mesmo tempo de todo o universo da música! Enfim, o que Chico Buarque, Criolo e Pitty tem em comum?

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Pois bem, você com certeza conhece a música “Cálice”, escrita por Chico Buarque e Gilberto Gil durante a ditadura militar brasileira, mas você sabia que ela tem outras versões, regravadas na atualidade, por outros artistas? Pois Pitty e Criolo já fizeram versões dessa música que valem muito a pena serem ouvidas. Bom, a letra original é digna de aplausos mil, e mesmo quem não gosta de MPB precisa dedicar alguns minutos de seu tempo a pensar sobre essa letra: são jogos de palavras criados por Gil e Chico, para fugirem da censura, que são simplesmente incríveis. Inclusive, na primeira vez que ela foi tocada em um show, microfones foram desligados, e houve toda uma tensão envolvendo os artistas. E as versões de Pitty e Criolo merecem também destaque: Pitty fez apenas uma versão da melodia, usando a mesma letra, e colocando a aura de crítica e de certa forma, revolta, que já faz parte do rock e de sua história; enquanto Criolo adaptou a letra da música para a realidade atual, também com o fundo super crítico inerente ao rap. O interessante de dar atenção a essas adaptações é perceber como uma mesma letra, ou uma mesma premissa, podem se adaptar a diferentes estilos, sempre passando uma mensagem importante, de uma forma ao mesmo tempo bonita e crítica. E isso nos faz pensar como o meio da música está cheio de velhos chavões e críticas bobas que só servem para dividir artistas que poderiam construir tanta coisa boa juntos, ou mesmo separados, mas em cima de uma mesma causa, como nesse caso.

Ouçam as três músicas, comparem, e reflitam:

http://grooveshark.com/s/C+lice/24Xivt?src=5

http://grooveshark.com/s/24+Calice/4SMKHY?src=5

http://grooveshark.com/s/C+lice/3F0QlK?src=5

“Que frase hein?!”: Woody Allen é um cara genial!

É claro que você conhece o Woody Allen, não é? Se você nunca, ao menos, ouviu falar desse incrível diretor, você com certeza não vive no planeta Terra! Mas você sabia que ele também é escritor? Já leu algum livro seu? Dia 1º de dezembro foi o aniversário desse querido, e portanto hoje comentaremos esse seu outro lado, falando do livro “Cuca fundida”!

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Antes de Woody Allen se transformar em praticamente um ser humano multiuso, ator, diretor e roteirista, ele atuava na área do humor, fazendo sketches e contando piadas. O sucesso de seus filmes acabou levando seus textos também a serem publicados em grandes jornais norte-americanos, como o The New Yorker e o The New York Times. “Cuca fundida”, especificamente, foi lançado na década de 1970 e foi seu primeiro livro, de três, com textos curtos (que não deixam de ser incríveis e geniais pelo tamanho). Nesse livro tem humor pra todos os gostos: tem psicanálise, sexo, judaísmo, culpa, neuroses, e as coisas mais loucas e absurdas da vida moderna, que mesmo mais de 30 anos depois, ainda pode ser referida como atual! O mais incrível desse livro é perceber a ironia de Woody Allen e sua genialidade, em outro formato, que não o do cinema. O riso inteligente e a ironia fina estão presentes a cada texto, e aqui destaco alguns dos que eu mais gostei: “A morte bate a porta”, “Uma espiada no crime organizado” (esse é SENSACIONAL!), “Reflexões de um bem-alimentado”, “Os anos 20 eram uma festa”, “Viva Vargas!” e “As memórias de Schmeed”. Leia pelo menos esses textos, e me diga se não vale a pena! Woody Allen, já sabemos, é genial, e aqui temos sua genialidade em um formato diferente: em páginas e linhas! Não há como contar cada história e comentar cada uma delas especificamente, porque não faz nem sentido, acabaria com a graça da experiência de deleitar-se nesse livro, portanto LEIA!

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“Sétima”: relacionamentos e mudanças da vida

A “Sétima” do Muquifo traz hoje mais um curta metragem com roteiro e direção de Daniel Ribeiro: já comentamos sobre o roteirista e diretor brasileiro quando falamos sobre o lindo “Eu não quero voltar sozinho”. Hoje o curta que comentaremos é o “Café com leite”, que já ganhou diversos prêmios e participou de tantos outros festivais.

O filme nos conta a história de um casal que vê sua rotina passar por uma mudança brusca, e então é obrigado a se adaptar: Danilo está prestes a sair da casa dos pais para morar com seu namorado, Marcos, quando um acidente ocorre com os seus pais, e eles morrem. Tudo muda, então, já que Danilo passa a ser responsável por seu irmão caçula, Lucas. Os irmãos precisam se adaptar a esse novo contexto, ainda imersos na bolha de dor causada pela morte dos pais, e também Marcos é obrigado a adaptar-se.

O título “Café com leite” é muito interessante porque faz referências a diversas temáticas do filme: o fato de você poder ser “café com leite”, que pra quem não sabe (não teve infância), refere-se a ser inexperiente, em dados momentos da vida; e também a questão da mistura, da mescla de duas coisas diferentes que precisam encontrar um equilíbrio; nesse caso os dois irmãos que precisam de redescobrir e aprender a conviver um com o outro depois de tantas mudanças. Além dessa poesia toda do título e do filme em si, a história é muito bonita! A dor da perda é tratada de forma muito singela, focando naqueles momentos mais difíceis do cotidiano, aquela dor silenciosa que é muito mais verossímil do que tantas cenas caricatas (de uma forma negativa, e não genial, como alguns diretores conseguem trabalhar) que encontramos por aí. Quanto a questão da homossexualidade, o filme a trata de forma perfeita: o foco do curta é nos sentimentos de adaptação e como as relações são afetadas por isso, e é exatamente isso que ele mostra, sem ficar apontando dedos e impondo constantes; ele simplesmente quebra o tabu e trata o casal homossexual da forma mais natural possível.

O mais interessante é perceber as teias de relações que fazem parte da nossa vida e como elas são fluidas e estão sujeitas a todo tipo de metamorfose, ainda mais em momentos de dor e perda. Enfim, se eu precisasse escolher apenas algumas palavras para me referir a esse curta com certeza usaria “delicadeza” e “incrível”! Assistam!