“Sétima”: Um dos resultados da mente genial de Nolan.

A “Sétima” dessa semana comenta um filme que pode dar um nó na sua cabeça, mas com certeza é um dos grandes exemplos de porque o cinema é considerado a sétima arte: “Memento”, traduzido no Brasil como “Amnésia”.

O filme é de 2000 e foi escrito e dirigido por Christopher Nolan, que se baseou em um conto escrito pelo seu irmão. O roteiro do filme, em si, não é nada lá muito complexo, mas mesmo assim não recomendaria a leitura nem mesmo da sinopse, porque o que faz desse filme tão incrível é a forma como a história é contada, a forma como o espectador é envolvido, e a descoberta de cada nova informação junto com o próprio personagem, que tem um problema de memória. Logo na primeira cena já percebemos que esse não é um filme comum, porque a cena simplesmente se passa de forma invertida e corresponde exatamente ao desfecho de toda a história, porém o interessante é a construção de como esse final, que na verdade é o início, é possível: como Leonard chega àquela situação.

Dentro da trama há duas narrativas, que se diferem pela ausência ou presença de cor: há as cenas coloridas e as cenas em preto e branco, que vão contando paralelamente trechos de uma mesma história, de formas diferentes. E aí é função do espectador juntar todas essas peças e resolver o quebra cabeças que esse filme é: e é justamente aí que o filme me ganhou. Esse é um filme que não subestima seu espectador, ele não coloca o espectador em posição de receptor de mensagens prontas e de fácil compreensão; aqui o espectador é agente ativo na compreensão do enredo. Outro ponto que, para mim, é extremamente positivo para o filme é seu final, que na verdade é o início da história, por mais que isso pareça um tanto quanto confuso. Se tem algo que eu valorizo é um diretor que consegue fazer um filme bom, com um final aberto, condizente e enriquecedor para a trama: e Nolan consegue isso em “Amnésia”, dando margem para duas interpretações diferentes ao final, e consequentemente uma bela discussão sobre o filme.

Mais uma vez sou obrigada a fazer um adendo final sobre traduções: originalmente o filme se chama “Memento”, cujo significado se relaciona com lembranças, ou memórias, e logo na terceira cena do filme o protagonista, ao contar sobre o seu problema de memória para um outro personagem, afirma não ter amnésia, mas sim uma condição que o faz não conseguir guardar memórias recentes, e essa informação é constantemente reforçada. E então o filme é traduzido, no Brasil, como “Amnésia”, sendo que Leonard passa o filme inteiro reafirmando que ele não tem amnésia. Acho que nem preciso fazer nenhum comentário sobre isso né?! Enfim, assistam mais esse excelente trabalho da genial mente de Christopher Nolan!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s