“Sétima”: uma flor rara no cinema brasileiro

O filme que protagonizará a “Sétima” do Muquifo, nessa semana, traz ao cinema brasileiro um frescor que há um certo tempo já faltava: nos últimos anos, talvez com a exceção de “Tropa de Elite” (1 e 2), a maioria dos filmes produzidos no Brasil, que acabaram se tornando um grande sucesso de público, não passam de comédias românticas – não desmerecendo o “gênero”, de forma alguma -, eis que surge “Flores raras” para quebrar esse e outros padrões.

O filme é inspirado no livro “Flores raras e banalíssimas”, de Carmen L. Oliveira, que dizem ir bem mais a fundo na história, o que já é de se esperar do tipo de narrativa da literatura, mas como não tive a oportunidade de lê-lo ainda, nem vou me atrever a entrar nesse terreno espinhoso! O longa metragem brasileiro é dirigido por Bruno Barreto e tem como foco principal o romance entre Elizabeth Bishop (Miranda Otto), poetisa norte-americana, e Lota de Macedo Soares (Glória Pires), arquiteta brasileira. A poetisa se vê em um momento de dificuldade para que continue a criar sua obra e resolve fazer uma viagem, para motivá-la, e o destino escolhido é a cidade maravilhosa: Elizabeth resolve visitar Mary (Tracy Middendorf), sua amiga de faculdade, que mora no Brasil e vive com Lota. É nesse meio que Elizabeth e Lota se apaixonam e a história se desenrola. Sinceramente não acredito que relatar cada fato que acontece no filme seja positivo ou negativo nesse caso, porque acho que o que vale nessa história não são em si os fatos, mas as sensações envolvidas nele, e a forma como eles ocorrem, sem contar as relações com o contexto histórico, que é exatamente o golpe militar no Brasil, e todas as questões psicológicas e humanas tratadas no filme, como pontos comuns e pontos divergentes em culturas diferentes, a forma como as pessoas se portam e tratam umas as outras, as relações interpessoais a que estamos submetidos, entre tantos outros aspectos presentes na obra. De qualquer forma, não me alongarei muito nessas descrições, porque nada do que eu falar pode substituir a experiência de assistir a esse incrível filme.

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Muitos críticos estão o julgando como “corajoso” e “arrojado” por se tratar de um casal lésbico, e um triângulo amoroso envolvendo três mulheres, que se amam, de formas diferentes, e tem diferentes tipos e níveis de relacionamento. “Flores Raras” veio, como já disse, para quebrar padrões, e esse é só mais um tabu que o longa metragem vem questionar, escancarando a realidade na cara daqueles que ainda não a conseguem ver com a naturalidade que lhes é intrínseca.

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